E o meu se casa na labareda que arde.
Não há muro, não há muro que me proteja,
Só o calor que nos consome, nos perde.
Um incêndio basta para consumar o jogo,
A chama dança entre as pernas, entre os lábios.
Sangue quente, suor frio, o mundo foge,
Restam só nós dois, no centro dos gravetos.
Queima-me devagar, que eu não me apague,
Deixa que a cinza seja o nosso leito.
O ar se torna denso, o ar se afoga,
E o tempo, nesse instante, não existe, não temos peito.
Só o ruído da pele raspando na carne,
O grito mudo que a boca não diz.
A fogueira é alta, a noite é uma barreira,
Que o desejo, louco, insiste em cruzar.
Consuma-me inteiro, não me deixes resto,
Que na asfixia do prazer, eu me encontro.
Este jogo é sagrado, este jogo é funesto,
E a gente se entrega, sem medo, sem conta.
❦
Cléia Fialho

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