TOCA DA LEOA
Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia









sábado, 2 de outubro de 2021

A CHAMA DANÇA ENTRE AS PERNAS



Teu corpo brasa, a pele pede fogo,
E o meu se casa na labareda que arde.
Não há muro, não há muro que me proteja,
Só o calor que nos consome, nos perde.

Um incêndio basta para consumar o jogo,
A chama dança entre as pernas, entre os lábios.
Sangue quente, suor frio, o mundo foge,
Restam só nós dois, no centro dos gravetos.

Queima-me devagar, que eu não me apague,
Deixa que a cinza seja o nosso leito.
O ar se torna denso, o ar se afoga,
E o tempo, nesse instante, não existe, não temos peito.

Só o ruído da pele raspando na carne,
O grito mudo que a boca não diz.
A fogueira é alta, a noite é uma barreira,
Que o desejo, louco, insiste em cruzar.

Consuma-me inteiro, não me deixes resto,
Que na asfixia do prazer, eu me encontro.
Este jogo é sagrado, este jogo é funesto,
E a gente se entrega, sem medo, sem conta.




  Cléia Fialho