que me lança e me prende,
em tua teia,
onde o ar se torna denso
e a pele, em súbita vigília,
aprende o que o desejo pede.
É vício as palavras
com que falas,
murmúrios que descem como mel,
traçando rotas proibidas
pelo relevo do meu corpo,
fazendo do meu peito o teu altar.
Cada sílaba tua, um laço;
cada pausa, um convite ao abismo.
E eu, presa voluntária,
deixo-me enredar nesse ritmo,
onde a voz se faz carne
e o silêncio se desfaz em chama.
❦
Cléia Fialho

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