um chamado secreto que o corpo deseja,
não mais sombra, mas claridade febril,
na fronteira ardente entre o ser e o nada.
Teu desejo cresce, raiz oculta,
rasgando o mármore do tempo imóvel,
lateja intenso, coração da matéria,
oráculo que anuncia novos prazeres.
Não é fome, nem sede, nem dor,
é correnteza que envolve a pele nua,
enchendo de gozo o templo sagrado,
onde o eu se dissolve no todo vibrante.
A onda sobe, rompe limites,
arrasta consigo as máscaras frágeis,
resta apenas o fluxo e a essência,
o êxtase que não conhece culpa.
Sê maré, sê sopro, sê chama,
abandona-te à vertigem ardente,
até que o prazer seja revelação,
e o corpo, tua morada infinita.
❦
Cléia Fialho

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