da respiração que se entrelaça,
o fio invisível que nos puxa
para o abismo da carne viva.
Teu olhar é um líquido quente
que escorre pelas bordas da alma,
molhando o seco, acendendo
o fogo que a razão não apaga.
Sinto o teu cheiro antes do toque,
o aroma adocicado da espera,
cada segundo é um atraso cruel
que dilói a nossa fome inteira.
Meus dedos traçam mapas secretos
na pele que treme e se entrega,
descendo lento, devagar,
até onde a dor se faz prazer.
És o mistério que eu decifro
com a língua, com a dentição,
o desejo que morde e suga
numa dança de pura confusão.
Não queremos luz, nem verdade,
apenas o suor, o gemido,
a fusão de dois corpos nus
no silêncio do nosso ouvido.
Que o tempo se rompa em pedaços
enquanto nós nos consumimos,
doce veneno, fogo amigo,
nosso próprio inferno divino.

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