Nas noites em que o luar
despeja prata sobre a pele do mundo,
há um fogo silencioso
percorrendo os corpos
como um segredo antigo.
Teus olhos encontram os meus
e, nesse instante suspenso,
o tempo se desfaz
como névoa sobre rios
que correm para o mesmo destino.
Há desejo nas entrelinhas do toque,
na demora breve dos dedos,
na respiração que vacila
ao sentir a proximidade
de um beijo ainda não dado.
O vento passa devagar,
acariciando nossos silêncios,
enquanto a noite nos envolve
em sua dança morna
de sombras e arrepios.
Cada suspiro acende
uma chama delicada,
e a paixão, viva e inquieta,
floresce sob o luar ardente
como estrela incendiando o céu.
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