Cada impulso teu desperta um clarão,
um idioma secreto tatuado na minha pele.
Meu corpo responde em cadência indomável,
verso vivo, que pulsa sem desenfreado.
ritmam o delírio que nos devora.
embriagadas pela chama do desejo.
No calor da tua voz entrecortada,
o silêncio também aprende a arder.
Somos dois horizontes sem fronteiras,
dois abismos sem margens,
fundindo respiração, calor e vertigem,
até que o tempo se dissolve,
na intensidade que nos atravessa.
Quando o arrepio alcança o auge,
E o êxtase enfim nos atravessa,
permanece em mim a lembrança do teu calor,
uma assinatura invisível, profunda,
guardada onde nem a chuva consegue chegar,
gravada onde nenhuma água alcança.
E repouso entre lençóis desalinhados,
renascida daquilo que incendiou meus sentidos.
permaneço deitada na cama revolta,
Sou poema moldado pelas brasas,
nascida das chamas,
palavra viva que se recusa a apagar,
e escolheu permanecer acesa.
❦
Cléia Fialho
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