Chega mais perto, meu vício, meu fogo, meu tarado,
a madrugada é longa e o meu corpo é urgente,
enfia-me a língua na boca, sela o meu grito abafado,
enterra-te em mim de uma vez, fundo, presente.
tenho sede animal que só o teu gozo mata,
a lua é cúmplice muda, a noite é toalha manchada
— vem safado, e faz do meu corpo tua mata.
Retenho-te por dentro como quem trava a maré,
aperto as coxas para não te perder gota nenhuma,
tatuo-te no fundo do útero versos sem pé,
sinto-te ainda a pulsar, a escorrer,
a inundar-me em bruma.
Cavalga o meu ventre até rangerem as tábuas,
morde-me os seios até deixares as marcas,
foda-me contra a parede como fera sem trégua,
esvazia-te em mim entre gemidos e arcadas.
❦
Cléia Fialho

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