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quinta-feira, 2 de outubro de 2014

A BOCA NO TRONCO VIVO




Ajoelhou-se diante dele, os joelhos nus contra o soalho frio, e a luz da vela a arder desenhou-lhe sombras nos ombros. Os olhos fixos nos dele, as mãos subiram-lhe pelas coxas, devagar, sentindo cada músculo tenso sob o tecido. 

Os dedos encontraram o cinto e abriram-no sem pressa, o estalo do couro a ceder o único som além da respiração pesada de ambos. Puxou a fazenda para baixo, libertando-o, e o caralho duro ergueu-se quente contra a palma da sua mão.

Ele recostou-se, a cabeça tombando para trás, e os dedos largos enterraram-se no cabelo escuro dela. Não disse nada — o peito subia e descia, a respiração curta, os quadris contidos num esforço de não empurrar. Ela lambeu os lábios, sentindo a fome apertar, e aproximou a boca da base do caralho. 

Encostou os lábios à pele quente, beijou-a, demorou-se ali com a língua plana a lamber desde a raiz até aos tomates, a saliva a escorrer pelo caminho. A chama da vela crepitou, lançando um brilho dourado sobre a pele húmida.

Os quadris dele subiram, o caralho roçou-lhe o queixo, e ela abriu a boca. Engoliu a cabeça devagar, os lábios selados à volta, e chupou com um estalo húmido que encheu o quarto. A vela crepita quando ela desce a boca até à base, engolindo-o todo.

A boca desceu até à base, os lábios esticados à volta da grossura, e ela ficou ali um segundo, o nariz encostado ao osso púbico, a garganta cheia de caralho. Depois subiu, chupando com força, as bochechas encovadas, e desceu outra vez. O ritmo nasceu sujo e constante — para baixo até engasgar, para cima até a cabeça quase sair, a língua a chicotear o freio, e outra vez para baixo. A saliva grossa escorria-lhe pelo queixo, pingava nos tomates, e o som de cada investida era um estalo molhado que enchia o quarto escuro.

Ele gemeu, um som rouco que lhe saiu do peito, e as duas mãos agarraram-lhe o cabelo escuro. Os dedos fecharam-se com força, os nós dos dedos brancos, e os quadris empurraram para a frente. O caralho enfiou-se mais fundo, a cabeça a bater-lhe na garganta, e ela engasgou — um som abafado, o corpo a contrair-se, os olhos a fecharem-se. Mas não parou. Continuou a descer, os lábios apertados, a garganta a aceitar a invasão. Muco e saliva misturaram-se, um fio grosso a escorrer-lhe pelo queixo e a cair sobre os tomates cheios.

A chama da vela crepitou, lançando sombras trémulas na parede, e a luz dourada bateu na pele húmida dos dois. Ela abriu os olhos, encontrou os dele, e chupou com mais fome. A mão livre subiu, os dedos a envolverem os tomates, a apertarem-nos com a palma cheia. Sentiu-os enrijecerem, pesados e tensos contra o queixo, e soube que ele estava perto. 

Os quadris dele estremeceram, os gemidos tornaram-se mais altos, mais fundos, e o corpo arqueou-se. O caralho pulsou-lhe na boca, uma, duas vezes, e depois o primeiro jorro de sémen quente encheu-lhe a garganta. Ela engoliu, os lábios selados, e continuou a chupar enquanto os espasmos lhe sacudiam o corpo todo. O último jorro de sémen enche a boca dela enquanto o corpo dele tomba.

O caralho amoleceu-lhe na boca, ainda quente, ainda pulsando com os últimos espasmos. Ela manteve os lábios selados à volta do tronco, a língua imóvel contra a pele salgada, e deixou que o corpo dele terminasse de se esvaziar dentro dela. A garganta moveu-se — uma, duas vezes — e o sémen desceu, espesso e morno, até ao fundo. Não havia pressa. Os dedos ainda apertavam os tomates, agora mais soltos, a palma a sentir o peso diminuir.

Soltou-o devagar. Os lábios deslizaram ao longo do comprimento, a pele húmida a brilhar na luz da vela, e a cabeça saiu-lhe da boca com um estalo pequeno. Um fio de saliva e sémen ligou-a ao caralho por um instante, fino e transparente, antes de se partir contra o queixo. Ela passou a língua pelos lábios, lenta, a ponta a recolher a última gota que ficara no canto esquerdo. O sabor encheu-lhe a boca — salgado, amargo, dele.

Olhou para cima. Os olhos encontraram os dele, ainda turvos, ainda perdidos no rescaldo. Os lábios dela estavam inchados, vermelhos, húmidos. E então surgiu — o sorriso pequeno. Apenas um levantar quase impercetível dos cantos, uma curva que não pedia nada e ao mesmo tempo tomava tudo. Era o selo. A posse consumada.

Ele estendeu a mão, os dedos ainda trémulos, e tocou-lhe o rosto. A ponta do polegar roçou a maçã do rosto dela, desceu até ao queixo, limpou o fio que ali ficara. A respiração dele era irregular, o peito a subir e a descer com esforço. Não disse nada. O corpo falava por ele — os quadris ainda soltos, os ombros caídos, a pele coberta de suor.

Ela baixou a cabeça mais uma vez. A língua tocou a fenda do caralho mole, a ponta a percorrer a pele enrugada, a lamber o que restava — uma película fina de sémen e saliva, o último vestígio do prazer dele. Limpou-o com paciência, com a mesma devoção lenta com que o devorara. A chama da vela estremeceu, a cera a escorrer em rios brancos pelo castiçal, e a luz tornou-se mais fraca, mais dourada, mais próxima do fim.

Ela ergueu o rosto. Os lábios ainda brilhavam, húmidos, e o sorriso pequeno permanecia. A vela crepitou uma última vez, a chama a dançar antes de se render à cera líquida, e o quarto mergulhou na escuridão.





Cléia Fialho

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