As mãos dele encontraram a nuca dela antes de qualquer palavra. Agarraram o cabelo escuro e revolto, os dedos enroscando-se nas raízes, e puxaram. A boca dele colidiu com a dela num impacto duro, sem hesitação, como se a pausa dos segundos anteriores tivesse sido uma traição à fome que o consumia.
Os lábios dele abriram-se sobre os dela e a língua invadiu-lhe a boca de imediato, quente e molhada, empurrando-se para dentro com uma urgência que não pedia licença.
Ela gemeu contra ele, o som abafado a vibrar-lhe na garganta enquanto os lábios inchados se entregavam. A língua dela deslizou sobre a dele, lenta e espessa, e o gosto que lhe encheu a boca era doce — denso, quente, um mel que parecia escorrer da própria saliva dela e que lhe acordou uma sede mais funda do que qualquer água podia matar.
Ele chupou-lhe a língua com força, sugando-a para dentro da sua boca, e o gemido dela subiu de volume, alto e desprotegido contra os lábios dele.
Os seios nus dela prensaram-se contra o peito magro dele, os mamilos duros a roçar-lhe a pele tensa, e o corpo dela arqueou-se por instinto, os quadris a procurá-lo. A saliva quente escorreu entre os lábios de ambos, misturando o mel doce com o sal da fome.
Ele sugou mais fundo, a língua a puxar a dela num ritmo faminto e implacável, os dentes a roçar-lhe o lábio inferior inchado. Depois a boca dele deslizou, largando o beijo, e desceu pelo queixo dela.
A boca dele desceu pelo queixo dela e continuou a descer, os lábios a arrastarem-se pela garganta, pela clavícula, pelo esterno. A língua quente traçou um caminho húmido entre os seios dela, lambendo o sal da pele, e ela arqueou as costas, os mamilos duros a apontarem para o teto escuro.
Ele mordeu-lhe a curva de uma costela, os dentes a marcarem a pele antes de a língua passar por cima da marca, e continuou a descer.
O ventre dela contraiu-se quando a boca dele lhe tocou o umbigo. A língua mergulhou na cova rasa, molhada e quente, e depois deslizou mais para baixo, seguindo a linha fina de pelos escuros que apontava para a raiz da pinda.
Ele lambeu o ventre macio com lentidão predatória, a saliva a brilhar na pele sob a luz fraca do candeeiro, e ela gemeu, um som agudo e trémulo que encheu o quarto. As mãos dele agarraram-lhe as ancas, os dedos a cravaram-se na carne, e ele mordeu o osso da bacia, os dentes a roçarem a pele esticada.
Ela empinou os quadris. A pinda dura roçou-lhe o queixo, a glande quente a deslizar pela mandíbula dele, e um fio de líquido pré-seminal brilhou na ponta, espesso e transparente.
Ele sentiu o gosto doce do mel na memória da língua, a fome a apertar-lhe o estômago, e o gemido dela subiu de volume, agudo e desprotegido, um pedido sem palavras.
Ele envolveu a base da pinda com a mão. Os dedos apertaram-se à volta do eixo quente e puxaram para cima, o punho a bombear com um ritmo firme e médio, e ela soltou um soluço, os quadris a espasmarem contra a mão dele.
Ele baixou a cabeça e passou a língua plana sobre a glande, lambendo o líquido pré-seminal que escorria, o gosto salgado e espesso a encher-lhe a boca. A saliva misturou-se com o pré-seminal enquanto a língua desenhava círculos lentos à volta da ponta inchada, e ela gritou, as coxas a tremerem.
A outra mão dele subiu pela coxa interna dela. Os dedos apertaram a carne macia, a pele quente e húmida de suor, e ele largou a glande da boca, a respiração ofegante contra a virilha dela. Baixou a cabeça e cravou os dentes na coxa interna.
Mordeu com força cruel, os maxilares a fecharem-se até a pele ceder, e o gosto metálico do sangue subiu-lhe à língua. Ela gritou, um som estrangulado que se partiu num gemido, o corpo inteiro a estremecer enquanto a pinda pulsava no punho dele. Mais líquido pré-seminal escorreu sobre os dedos dele, quente e viscoso, e a respiração dela saiu em soluços.
A marca de dente vermelha e profunda na coxa dela pulsava ao ritmo da respiração ofegante de ambos.
Ele deixou cair a cabeça sobre a coxa dela, o rosto virado para a marca de dente que latejava na pele morena. A respiração ainda saía pesada, o peito a subir e descer contra o colchão. Os olhos escuros, semicerrados, não se desviavam daquela mancha vermelha e inchada que pulsava ao ritmo do coração dela. A luz alaranjada do candeeiro de rua atravessava a janela e desenhava sombras nas pregas dos lençóis revoltos. O suor arrefecia na pele de ambos.
Ela passou os dedos lentamente sobre a marca. A ponta do indicador roçou a pele ferida, o contorno dos dentes ainda visível, e um arrepio subiu-lhe pela espinha. A dor latejante misturava-se com o prazer residual que ainda lhe contraía os músculos da barriga.
Os dedos deslizaram outra vez, mais devagar, como se lesse braille na própria carne, e ela fechou os olhos. O quarto mergulhou num silêncio denso, quebrado apenas pela respiração de ambos a acalmar. Ele não se mexeu. O peso da cabeça dele na coxa dela era uma âncora.
Os dedos dela pararam sobre a marca. A respiração suspendeu-se por um instante. Depois, num sussurro rouco que atravessou o silêncio como uma brasa, ela disse:
— A fome ainda não acabou.
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Cléia Fialho

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