Entrego minha carne ao teu capricho,
um altar aberto para aplacar
a fome que me corrói por dentro.
Maldita sanidade, de que serve o controle psíquico
desse tesão violento que você injeta em mim?
Aquele beijo que desenhei na mente, no escuro,
arrombou de vez as portas da insanidade
que tentávamos segurar.
Você me apetece com a urgência de um vício,
uma necessidade crua e deliciosa de ver
nossa pele queimar no atrito.
Tua boca colide e devora a minha,
com os olhos cravados nos meus,
assinando um pacto mudo de perdição.
O sopro dos meus segredos no teu ouvido
rapidamente vira um rastro
de gritos roucos e desesperados,
arrancados à força pelo prazer louco
que você crava em mim.
Não há fuga possível,
não quero emergência do teu vaivém implacável.
Sou tua possessão, teu território invadido,
me escancaro por completo para que,
numa explosão cega de fúria e fluidos,
o teu sexo exploda e se funda para sempre ao meu.
❦
Cléia Fialho
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