Arrasta-me para esta maré de línguas e vertigem,
cavalgue sem dó a espuma quente que nos ferve as entranhas,
onde o gozo é um altar pulsante e eu,
carne aberta em chaga doce sob teu dente.
Lambe o sal que escorre da minha raiz mais funda,
rompe a seda última que esconde o fruto,
perde-te nos vales úmidos do meu corpo em febre,
nas curvas insanas deste leito que te suga a alma.
derrama o fogo no meu ventre em febre,
em fim, suor e sémen,
lambe a seiva que escorre das minhas fendas,
Quero ver a tua taça trêmula, o vinho rubro,
o gemido que escapa como brasa viva,
cada espasmo é ritual de línguas e vertigem.
até que o tempo exploda num gemido rouco
Faz de mim o teu delírio dissolvido,
o suor que constela a espinha,
o pulso latejante da tua maré mais funda,
até que o próprio êxtase nos dissolva num só grito,
e sejamos apenas pó.
❦
Cléia Fialho

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