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domingo, 14 de dezembro de 2014

O APERTO DO ELEVADOR




O tranco foi seco — um estalo metálico seguido de silêncio. Ela se apoiou na parede do elevador, os olhos fixos no painel. Apertou o botão do térreo uma, duas, cinco vezes. Nada. A luz de emergência banhava o cubículo de um amarelo doentio.

— Não vai funcionar.

A voz dele veio de trás, grave e sem pressa. Ela ignorou e continuou pressionando os botões, os dedos rígidos, o gesto inútil se repetindo. O painel não respondia — as pequenas luzes verdes apagadas, os números mortos.

Ele se moveu. Sem aviso, o antebraço dele roçou o ombro dela ao passar, um contato mínimo que a fez prender a respiração. Ficou parada, o ar preso no peito, enquanto ele se inclinava para o interfone ao lado do painel.

— Interfone também não responde.

Estava perto demais. O calor do corpo dele preenchia o espaço entre eles, e ela desviou o olhar para o chão, os braços cruzados com força. Ele não recuou. Em vez disso, apoiou a mão aberta na parede ao lado da cabeça dela, bloqueando qualquer saída.

O antebraço dele desceu até a porta espelhada, encurralando-a contra o vidro frio. Ela tentou empurrar o peito dele, mas os dedos agarraram a camisa em vez de afastá-lo. Ele a beijou com força, a boca quente pressionando a dela até que seus lábios cederam. A língua dele invadiu, grossa e insistente, e a saliva se misturou enquanto ela abria a boca sob a dele. 

As mãos dela subiram para a nuca dele, as unhas cravando na pele. Ele agarrou as coxas dela por cima da saia, puxando o tecido para cima, e enfiou o joelho entre as pernas dela — o algodão da calcinha arrastando na carne. Ela gemeu contra a boca dele e empurrou a mão dele para dentro da calcinha.

Ele arrancou a calcinha dela com um puxão seco — o algodão rasgou na lateral e o pedaço de tecido caiu no chão do elevador. As mãos grandes agarraram as coxas dela, os dedos cravando na carne macia, e ele a levantou como se não pesasse nada. As costas dela bateram no espelho frio, o vidro gelado contra a pele quente, e ela soltou um gemido curto.

O pau nu encostou na buceta molhada. A glande quente pressionou a entrada, deslizando na umidade que já escorria, e ela ofegou alto — um som que ecoou nas paredes metálicas. Ele não esperou. Empurrou de uma vez, o pau grosso abrindo caminho, engolido até a base num único movimento molhado. Ela gritou. Um grito agudo que saiu involuntário, as costas arqueando contra o espelho, as unhas cravando nos ombros dele.

O quadril dele começou a bombear. Ritmo duro e rápido, o pau entrando e saindo da buceta com força, o saco batendo na carne molhada a cada estocada. O som de líquido preenchia o elevador — chape, chape, chape — misturado com os gemidos dela e a respiração pesada dele. 

As mãos dela agarraram os ombros dele, as unhas cravando fundo, arranhões vermelhos surgindo na pele morena. Ele mordeu o pescoço dela, os dentes pressionando a carne sensível, e a saliva escorreu pela clavícula até o decote da blusa.

Ela retribuiu com o quadril, empurrando contra cada estocada, a buceta apertando o pau dele em espasmos cada vez mais intensos. Gozou com um gemido longo e trêmulo, o corpo tremendo contra o espelho, o líquido quente escorrendo pelo pau dele. Ele continuou bombeando, os dedos ainda cravados nas coxas dela, até que o pau pulsou forte dentro da buceta. Gozou em jatos quentes, a porra enchendo e vazando pela fenda, escorrendo pelas coxas dela em fios grossos.

Ficaram pregados, o pau ainda enterrado, porra e gozo misturados pingando no chão do elevador. A luz de emergência tremelicou. O painel do elevador piscou, os botões ainda inúteis. A perna dela escorregou da cintura dele enquanto o pau ainda pulsava dentro dela.

Os corpos escorregaram juntos pelo espelho até o chão frio do elevador. As pernas dela tremiam, os músculos das coxas ainda em espasmo, e a porra quente continuava escorrendo pela pele, misturada ao próprio gozo. Ele a segurou pela cintura durante a descida, o pau ainda meio duro saindo devagar de dentro dela, e o líquido quente escorreu mais rápido quando o vácuo se desfez. 

Ela caiu de joelhos primeiro, as mãos apoiadas no chão de metal, a respiração ofegante. Ele se ajoelhou ao lado, o peito suado subindo e descendo, e ficaram assim por um momento — nus da cintura para baixo, a roupa amassada, o cheiro de sexo impregnando o ar parado.

Ele levantou a mão devagar e passou o polegar na marca da mordida no pescoço dela. A pele estava inchada, vermelha, os dentes dele ainda impressos na carne sensível. Ela estremeceu com o toque, mas não se afastou. A ponta do polegar percorreu o contorno da marca, pressionando de leve, e a ardência subiu pela nuca. Ela levou a própria mão ao pescoço e tocou a marca também, os dedos encontrando os dele sobre a pele quente. O ardor latejava sob a ponta dos dedos, uma lembrança física do que tinham feito.

Ela olhou para o painel do elevador. Os botões ainda estavam apagados, inúteis como antes, fileiras de números mortos sob a luz amarela de emergência. Uma risada trêmula escapou da garganta dela — curta, sem humor, quase um soluço. Os botões que ela apertara sem parar minutos atrás pareciam agora uma piada sem graça. A ilusão de controle tinha se desfeito completamente, e o que restava era o chão sujo, as coxas molhadas e o homem ao lado.

O elevador deu um tranco. A luz principal acendeu com um zumbido elétrico, branca e forte, varrendo a penumbra amarela. O motor roncou acima deles e a cabine começou a descer. 

Ela se levantou às pressas, as pernas ainda bambas, e puxou a saia para baixo com as mãos trêmulas. Ele se levantou também, mais devagar, e enfiou a calcinha dela no bolso da calça antes de fechar o zíper. O elevador parou no térreo com um sinal sonoro. A porta se abriu. Ela saiu sem olhar para trás, a marca vermelha no pescoço à mostra, a calcinha ainda no bolso dele.





Cléia Fialho

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