A cada curva, um segredo mora,
Em cada sopro, a coragem se apoia.
O aroma sobe, embriaga a alma,
Um convite suave, que a noite acalma.
Revela jardins onde o tempo é pleno.
Notas amadeiradas, toque de luar,
Jasmim noturno vem para abraçar.
É confidência líquida, pele que fala,
Sem palavras, a memória se instalha.
Camada por camada, desabrocha o ser,
Página antiga, pronta para se entregar.
Entre o crepúsculo e o amanhecer,
Há uma flor que decide florescer.
És tu, no espelho, que aprendeu a sorrir,
Ao perfume que veio te redescobrir.
O toque é suave, mas marca a jornada,
Cada gota é história, cada nota é alvorada.
O pulso guarda universos pequenos,
O peito respira silêncios tão plenos.
Lá fora o mundo perde sua urgência,
Aqui, na essência, mora a permanência.
Fecha os olhos, inala com tanta calma,
E encontra no aroma a tua própria alma.
❦
Cléia Fialho

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