Ele entrou no quarto carregando o peso da culpa. Casado, maduro, olhar faminto. Eu já sabia: era meu fetiche, minha perdição. O cheiro barato do quarto misturava-se ao perfume masculino, e a tensão era palpável.
Fechei a porta e o empurrei contra a cama. Minha boca encontrou a dele, urgente, faminta, nossas línguas se devoraram sem piedade. Minhas mãos desceram rápido, encontraram sua rigidez, e o gemido que escapou foi música suja.
Ele me virou, me prensou contra o colchão, rasgou meu vestido sem cuidado. Sua boca mordia meus seios, seus dedos me abriam sem delicadeza, e eu arqueava, pedindo mais. O som da cabeceira batendo contra a parede era o compasso da nossa fúria.
Eu o puxei para dentro de mim, sem véu, sem pausa. Cada estocada era brutal, cada investida me rasgava em prazer cru. O colchão rangia, o quarto inteiro vibrava, e eu gritava sem pudor, sem medo. Ele me agarrava pelos quadris, me dominava, e eu me oferecia inteira, devassa, faminta.
Mudamos de posição sem descanso. Eu o cavalgava com força, minhas unhas cravadas em seu peito, minha boca mordendo seu pescoço. Ele gemia meu nome, perdido, culpado, mas entregue. O motel se tornava caverna de pecado, nossas marcas gravadas nos lençóis, nossos fluidos espalhados pela noite.
E quando explodimos, não foi suave: foi grito, foi carne em convulsão, foi suor escorrendo, foi gemido rasgando o ar. O gozo foi violento e devastador.
Ainda molhados, ainda famintos, continuei a cavalgá-lo sem piedade, exigindo mais, arrancando gemidos brutos. Ele me segurava com força, me penetrava sem trégua, e o quarto se enchia de cheiro de sexo, de pele batendo contra pele, de gemidos animalescos.
O motel virou arena de pecado: lençóis encharcados, marcas de unhas, mordidas espalhadas pelo corpo.
Cada estocada era selvagem, cada gozo era repetido, cada respiração era cortada pela fúria do prazer.
Não paramos até o corpo não aguentar mais, até o suor escorrer em rios, até o silêncio ser quebrado apenas pelo som da nossa exaustão.
Não restou nada além da carne usada, do pecado gravado, da luxúria devastadora que nos consumiu até o limite.
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Cléia Fialho

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