Onde as águas encontram o seu lugar
minhas unhas afundam na tua carne sem aviso,
e o teu silêncio busca o meu firme momento
enquanto desmancho o teu fôlego com os dentes.
Como o mar que na areia se manifesta,
subo pelo teu peito como uma maré febril,
sem pressa de ser ou de ter partida,
apenas o peso do meu ventre colado ao teu.
Não prometo o amanhã ao sopro do vento,
pois o instante é tudo o que nos resta,
e a alma na paz se sente acolhida
no tranco seco do nosso encaixe visceral.
Apenas o tempo de apenas estar
enquanto o suor escorre e nos queima,
seguimos assim na mesma medida,
nus e famintos no meio do desatino.
Onde o presente sabe se habitar,
nossos corpos se devoram sem remorso,
abraço calmo na costa esquecida
que agora arde em chamas sob o meu peso.
No gesto simples de enfim descansar,
desabo suada sobre o teu peito ofegante,
com a boca colada na tua pulsação,
sabendo que o mundo acabou aqui.
