O SILÊNCIO QUE QUEIMA
Ela se deita e os lençóis já não são lençóis — são brasas que se moldam ao corpo, o tecido ardendo sob as costas nuas, cada fibra um fio de calor que sobe pela espinha e se alastra.
O quarto é escuro, mas o brilho alaranjado das chamas imaginárias lambe as paredes, as sombras dançam, e a noite prende a respiração.
O peso dele desce como uma língua de fogo — o peito contra o peito, o ventre contra o ventre, as coxas abrindo caminho entre as coxas dela.
O calor não pede licença: invade, toma, queima.
Ela arqueia sob o corpo quente e sente a pele despertar em cada ponto de contato, um ardor que sobe do osso à superfície, que lateja, que exige.
As bocas se colam.
Não há hesitação — é fome.
As línguas molhadas se enroscam com urgência, uma invadindo a outra, deslizando, provando.
A saliva escorre pelo queixo dela, morna e farta, e ele lambe o canto da boca antes de afundar de novo no beijo, mais fundo, mais ávido.
O ritmo é profundo, as respirações se atropelam, os dentes roçam o lábio inferior.
Ela crava os dedos nas costas dele e sente os músculos se contraírem sob a pele quente.
Os lençóis crepitam sob os corpos suados.
A boca dele desce.
Quente, molhada, faminta — desce pelo queixo, pela curva da mandíbula, e se fecha sobre o pescoço dela com a precisão de quem sabe onde o fogo começa.
Ele suga.
A pele cede sob os lábios, os dentes roçam de leve antes da sucção forte, ritmada, que puxa o sangue para a superfície e deixa marcas vermelhas como brasas espalhadas.
A saliva fria contrasta com a pele ardente — cada lambida um choque, cada sugada uma queimadura que desce em ondas pelo corpo dela.
Ele não tem pressa.
Percorre o pescoço de um lado ao outro, a língua traçando caminhos lentos, torturantes, enquanto os dedos dele se cravam nos ombros dela e a mantêm imóvel.
Ela geme, a cabeça tombando para trás, os lençóis em brasas crepitando sob as costas arqueadas.
O calor sobe do tecido e se mistura ao calor da boca dele, e ela já não sabe onde termina a cama e onde começa o próprio corpo.
— Te amo — ela sussurra, a voz ofegante se perdendo na fronha.
A almofada incandescente recebe as palavras como quem recebe uma chama.
O tecido queima sob a bochecha dela, cada fibra impregnada de desejo e saliva e amor dito no escuro.
Ela vira o rosto, afunda os lábios na fronha quente e repete, mais baixo, mais rouco, como se as palavras precisassem sair ou a consumiriam por dentro.
Os dedos dela se crispam no tecido, as unhas arranhando o algodão que arde.
A mão dele desce.
Os dedos médio e anelar encontram o clitóris duro e começam um movimento circular, firme, implacável.
Ela arqueia com força, um gemido preso na garganta, enquanto os dedos deslizam mais fundo e abrem os lábios vaginais.
A seiva escorre, quente e farta, cobrindo os dedos dele, escorrendo pelos nós, pingando nos lençóis em brasas.
O ritmo é duro, circular, os dedos pressionando o ponto exato que a faz tremer.
Ela esfrega o corpo contra a mão dele, desesperada, as coxas abertas, o ventre contraindo.
O cheiro do sexo sobe no quarto escuro.
Ele se ajeita entre as pernas dela.
O pau duro esfrega contra a fenda molhada, a glande espalhando o líquido vaginal em movimentos de vai e vem, lentos, precisos, sem penetrar.
O contato é pele contra pele molhada, o atrito fazendo-a gemer mais alto, as mãos dela puxando os cabelos dele, as unhas cravando.
Ele range os dentes, a respiração pesada, o corpo tenso.
Esfrega de novo, a glande deslizando da entrada até o clitóris, cobrindo-se da seiva dela.
Os gemidos se misturam, roucos, urgentes.
Ele empurra o pau contra a entrada molhada dela.
O corpo ainda treme.
As ondas do gozo percorrem a espinha em espasmos lentos, os músculos internos pulsando no vazio, contraindo-se em torno do nada.
A respiração é um soluço, o peito sobe e desce contra o colchão.
As coxas estão abertas, moles, e a porra escorre pela pele interna, um fio grosso e morno que desce da entrada até o joelho, deixando um rastro brilhante na penumbra.
O Amante se cola por trás.
O peito suado encontra as costas dela, o coração dele martelando contra as omoplatas.
O suor dos dois se mistura, salgado, quente, e o peso do corpo dele a ancora nos lençóis em brasas que agora começam a esfriar.
Ele afasta os cabelos úmidos da nuca dela com os lábios e deposita um beijo lento na testa, sobre a almofada incandescente onde as palavras de amor ainda queimam.
Ela vira o rosto de lado.
A boca entreaberta, os olhos fechados.
A almofada guarda os "te amo" ditos no auge, as sílabas trêmulas que ficaram presas no tecido como brasas que se apagam devagar.
A respiração dos dois desacelera junta, um ritmo pesado que vai se tornando profundo, quase um só fôlego.
A noite esfrega as últimas brasas contra a pele deles.
O quarto escuro abafa os gemidos que já foram.
Os lençóis chamuscados envolvem os corpos exaustos na noite.
❦
Cléia Fialho

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