Quando a manhã nos rasgar, ofegantes e saciados,
não me perguntes por onde andou a distância.
Ela se desmanchou agora, no vão dos nossos corpos colados,
no atrito quente da nossa pele em ânsia.
Os meses longe viraram nada,
derreteram no líquido que escorre de mim,
na tua boca que me morde e me invade,
na minha que te prende e não mente.
Eu te quero cru, inteiro, duro,
selvagem me chamando pra dentro,
sem freio, sem pudor, deserta
de tudo que não seja esse momento.
Me consome, me devora, me arranha,
me deixa marcada na tua carne,
que eu te gravo com a língua que te banha
até minha voz quebrar e não falar mais.
E quando o dia nascer, vazios de tanto nos ter,
não há ausência que resista.
Há só nós dois, molhados de prazer,
um no outro, sem pressa e sem pista.
