A PRESSÃO
A porta estalou ao fechar.
Rafael encostou-se nela e deixou o olhar descer pelo corpo dela — lento, sem pressa, como se já soubesse cada curva que encontraria.
Ela recuou um passo.
As costas tocaram a parede fria e a luz da rua cortou seu rosto, deixando o resto na penumbra.
O cheiro dele a envolveu antes do toque — almíscar e chuva.
O nariz dele roçou a lateral do seu pescoço, e a respiração dela falhou, curta, quente.
Os quadris dele pressionaram seu ventre — a ereção dura sob a calça roçando sua coxa.
Ela enterrou os dedos nos ombros dele e puxou. Os lábios dele roçaram sua orelha.
— Desta vez você não vai fugir.
Ela não respondeu.
Não teve tempo.
A boca de Rafael cobriu a sua — sem pedir licença, sem ensaiar.
A língua invadiu com ritmo urgente, quente, molhada, e ela gemeu dentro do beijo antes de conseguir se controlar.
Os dedos dele cravaram na sua nuca e a cabeça dela foi puxada para trás, abrindo mais a boca, deixando-o mais fundo.
A parede fria nas costas contrastava com o calor do corpo dele colado ao seu.
A mão direita dele desceu.
Palma aberta, lenta na coxa, subindo pela pele nua até encontrar o algodão da calcinha.
Ele não hesitou. Um puxão seco e o tecido cedeu — o elástico estalou contra a pele e a peça caiu no chão, inútil.
Ela arquejou contra a boca dele.
As mãos dela foram para a camisa de Rafael, puxando o tecido para fora das calças com urgência.
Dedos trêmulos desabotoando, abrindo, libertando o torso quente.
Ele se afastou só o suficiente para que ela puxasse a camisa pelos ombros e a jogasse longe.
Os olhos escuros dele a devoraram.
A boca de Rafael desceu.
Beijos molhados no pescoço, nos ombros, enquanto os dedos dele encontravam a barra da blusa dela e a puxavam para cima.
O tecido subiu, roçou os mamilos já duros, e caiu no chão junto com o resto.
Ele gemeu baixo na garganta ao ver os seios nus.
As duas mãos os agarraram — apertando, puxando os mamilos com os polegares em movimentos circulares.
Ela mordeu o lábio inferior com força, as costas arqueando contra a parede.
Os dedos dela encontraram o cós das calças dele.
Desabotoou.
O zíper desceu.
A mão enfiou por dentro da cueca e envolveu o pau — duro, quente, a ponta úmida de pré-sêmen na palma.
Rafael soltou um som gutural contra o pescoço dela.
Então as mãos dele desceram para as coxas dela.
Agarraram firme.
Ele a ergueu do chão como se não pesasse nada, as pernas dela se enrolando na cintura dele por instinto.
A luz da rua cortou os dois corpos colados enquanto ele a carregava para a cama.
Ele a depositou no colchão.
Antes que ela pudesse respirar, já estava de joelhos sobre ela — os olhos escuros a devorando na penumbra, a promesa de tudo o que viria ainda por cumprir-se.
❦
Cléia Fialho


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