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quarta-feira, 29 de abril de 2015

SEM LICENÇA - Capítulo I




A PRESSÃO

A porta estalou ao fechar. 
Rafael encostou-se nela e deixou o olhar descer pelo corpo dela — lento, sem pressa, como se já soubesse cada curva que encontraria. 
Ela recuou um passo. 
As costas tocaram a parede fria e a luz da rua cortou seu rosto, deixando o resto na penumbra.

Ele avançou. Os braços a cercaram, as mãos espalmadas contra a parede dos dois lados. 
O cheiro dele a envolveu antes do toque — almíscar e chuva. 
O nariz dele roçou a lateral do seu pescoço, e a respiração dela falhou, curta, quente. 
Os quadris dele pressionaram seu ventre — a ereção dura sob a calça roçando sua coxa. 
Ela enterrou os dedos nos ombros dele e puxou. Os lábios dele roçaram sua orelha.

— Desta vez você não vai fugir.

Ela não respondeu. 
Não teve tempo.

A boca de Rafael cobriu a sua — sem pedir licença, sem ensaiar. 
A língua invadiu com ritmo urgente, quente, molhada, e ela gemeu dentro do beijo antes de conseguir se controlar. 
Os dedos dele cravaram na sua nuca e a cabeça dela foi puxada para trás, abrindo mais a boca, deixando-o mais fundo. 
A parede fria nas costas contrastava com o calor do corpo dele colado ao seu.

A mão direita dele desceu. 
Palma aberta, lenta na coxa, subindo pela pele nua até encontrar o algodão da calcinha. 
Ele não hesitou. Um puxão seco e o tecido cedeu — o elástico estalou contra a pele e a peça caiu no chão, inútil. 
Ela arquejou contra a boca dele.

As mãos dela foram para a camisa de Rafael, puxando o tecido para fora das calças com urgência. 
Dedos trêmulos desabotoando, abrindo, libertando o torso quente. 
Ele se afastou só o suficiente para que ela puxasse a camisa pelos ombros e a jogasse longe. 
Os olhos escuros dele a devoraram.

A boca de Rafael desceu. 
Beijos molhados no pescoço, nos ombros, enquanto os dedos dele encontravam a barra da blusa dela e a puxavam para cima. 
O tecido subiu, roçou os mamilos já duros, e caiu no chão junto com o resto. 
Ele gemeu baixo na garganta ao ver os seios nus. 
As duas mãos os agarraram — apertando, puxando os mamilos com os polegares em movimentos circulares. 
Ela mordeu o lábio inferior com força, as costas arqueando contra a parede.

Os dedos dela encontraram o cós das calças dele. 
Desabotoou. 
O zíper desceu. 
A mão enfiou por dentro da cueca e envolveu o pau — duro, quente, a ponta úmida de pré-sêmen na palma. 
Rafael soltou um som gutural contra o pescoço dela.

Então as mãos dele desceram para as coxas dela. 
Agarraram firme. 
Ele a ergueu do chão como se não pesasse nada, as pernas dela se enrolando na cintura dele por instinto. 
A luz da rua cortou os dois corpos colados enquanto ele a carregava para a cama.

Ele a depositou no colchão. 
Antes que ela pudesse respirar, já estava de joelhos sobre ela — os olhos escuros a devorando na penumbra, a promesa de tudo o que viria ainda por cumprir-se.




Cléia Fialho

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