Que nos embriaga em doce tormenta,
Nos lábios, um beijo, a alma imensa,
Paixão que arde, nossa eterna essência.
No olhar profundo, a vida se enleia,
São promessas, murmúrios, a mesma cena,
Paixão que arde, sempre a nos rodear.
Meus seios reclamam a tua boca cheia,
Tuas mãos afundam-se em minha maré,
Onde a renda cede e a pele semeia
O gemido rouco que só o desejo é.
E quando o gozo desaba, tempestade contida,
Ficamos assim, tremendo em silêncio pleno —
Paixão que arde, chama tantas vezes acendida,
Que só se apaga para reacender no meu seio.
1 — sensual e lírica:
Deitas-me devagar sobre o lençol amarrotado,
Onde o mundo se cala e o tempo se despede,
Entras em mim como quem chega ao teu fado,
E o meu corpo sussurra: fica, mata a minha sede.
2 — mais ousada e possessiva:
Deitas-me devagar sobre o lençol amarrotado,
Onde o mundo se cala e o tempo se rende,
Entras em mim como quem chega ao teu fado,
E o meu corpo sussurra: sou tua, o que em mim arde acende.
3 — entrega total:
Deitas-me devagar sobre o lençol amarrotado,
Onde o mundo se cala e o tempo se demora,
Entras em mim como quem chega ao teu fado,
E o meu corpo sussurra: fica, sou tua agora.
❦
Cléia Fialho

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