Submisso como fera faminta, ele se aproximou da carne como quem fareja destino.
Os dedos, trêmulos, buscavam passagem, um vão onde pudesse mergulhar a cabeça e perder-se.
Ela cedeu, e o espaço tornou-se abismo.
Ela o puxava pelos cabelos, trazendo-o para dentro de si, afundando-o no calor que a consumia.
Os olhos semicerrados dela murmuravam palavras sem sentido, mas carregadas de urgência.
O corpo pedia, implorava, contorcia-se em espasmos de entrega.
De súbito, ela o ergueu, reposicionando-o entre suas pernas.
As roupas caíram como véus rasgados, revelando a nudez crua da cena.
Ele penetrou o espaço dela com brutalidade contida, encarando o rosto marcado de desejo.
O sorriso dele era debochado, insolente, como quem sabe que domina o instante.
Ela rebolava sobre ele, selvagem, conduzindo o ritmo, enquanto ele permanecia imóvel, apenas observando.
O corpo dela engolia-o com voracidade, como se quisesse devorá-lo inteiro.
Ele via-se desaparecer dentro dela, cada vez mais fundo, cada vez mais próximo do limite.
O ápice se aproximava.
O calor tornava-se insuportável, o corpo dela apertava-o em convulsões, como se fosse capaz de esmagar o mundo inteiro em um único gesto.
O gozo era inevitável, uma explosão que se anunciava em cada espasmo, em cada respiração cortada.
No fim, restava apenas o silêncio pesado, o suor escorrendo como testemunha da batalha.
Mas dentro deles, a chama seguia acesa, indomável, pronta para incendiar novamente tudo o que ousasse se aproximar.
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Cléia Fialho

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