Ela me esperava como quem guarda um incêndio dentro da pele.
O corpo palpitava em silêncio, os lábios grossos e úmidos se abriam em convite, e o calor que desprendia de sua carne trazia consigo um perfume desconhecido, mistura de flores estranhas e mistério.
O ar ao redor parecia vibrar, carregado de expectativa.
O corpo dela, contido em sua prisão de músculos, tremia como se buscasse libertação.
E quando se entregava aos meus beijos, havia algo de selvagem, como se a resistência fosse apenas máscara, e a verdadeira essência fosse a entrega absoluta.
Os olhos semicerrados repousavam sobre mim com languidez.
Não havia palavras, apenas o olhar que dizia tudo, revelando o doce amor em silêncio.
Era um olhar tão intenso que, se fosse lançado em público, deveria ser coberto, escondido, como se fosse pecado exposto.
O calor dos corpos misturava-se ao ar, criando uma atmosfera densa, carregada de desejo.
O toque era fogo, o beijo era tempestade, e cada gesto parecia rasgar o tempo, suspendendo-o.
Ela se contorcia em minha presença, como se cada movimento fosse resposta a um chamado invisível.
E nesse espaço secreto, entre flores e sombras, o prazer não era apenas físico: era revelação.
Era a descoberta de que o corpo pode ser templo, e o desejo, súplica.
No fim, restava o silêncio pesado, como se o mundo tivesse parado para contemplar aquele instante.
Mas dentro de nós, a chama seguia acesa, indomável, pronta para incendiar novamente tudo o que ousasse se aproximar.
❦
Cléia Fialho

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