Deixo-me levar pela tua vontade,
no ímpeto que rasga meu prazer.
Nos meus caminhos estreitos,
teu centro se encaixa,
escultura moldada em tuas mãos.
Tua sedução me arrasta,
tua mão sobre minha carne
me faz bandida, gulosa, atrevida.
Sou tua fêmea,
mulher libertina,
meu corpo implora teu dedilhar,
minha boca exige teu sabor.
Interrompo teus sonhos,
sou labareda acesa na tua realidade.
Sou tudo que desejas,
sou devassa e pudica,
sou mistério e entrega,
sou prazer e perdição.
Quero ouvir teus segredos,
permitir tua loucura,
sentir tua febre.
Tu desabrochas o leão,
faminto, febril, insaciável,
e dele me alimento sem pudor.
Quero teu pecado sem medida,
molhar teu eixo em gozo,
provocar tuas vontades,
atiçar tua fúria,
oferecer-me inteira.
Quero te ver pecar,
sou tua, crua, sem disfarces.
Toca meus seios,
sou tua verdade,
sou o instante de luxúria,
sou a entrega que não se nega.
❦
Cléia Fialho


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