O quarto é um templo profano.
As paredes respiram, o ar é febre.
Não há ternura, só urgência.
As roupas caem como pele arrancada.
Ela se abre como oferenda.
O corpo vibra em espasmos, em vertigem.
Cada toque é relâmpago.
Cada penetração é terremoto.
O prazer é cru, é brutal, é animal.
Ele a domina com fúria.
Os dentes marcam, a língua percorre abismos.
O gozo é tempestade, é maré violenta.
Ela grita, uiva, implora mais.
O corpo se rasga, se perde, se entrega.
Não há suavidade.
Há selvageria, há excesso, há vertigem.
O prazer consome, destrói, recria.
Ela explode em orgasmos que rasgam o silêncio.
Ele se derrama nela como lava incandescente.
No fim, só restam corpos exaustos.
Respirações ofegantes, suor escorrendo, pele marcada.
Um campo de batalha erótico.
Um delírio sem retorno.
Um grito de carne inteira, transformado em poesia.
❦
Cléia Fialho


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