Calor cresce entre lençóis, lento e denso,
Vapor de corpos, um movimento intenso.
Carícias consomem toda a razão,
Dedo que traça mapa, pele, emoção.
Corajosamente, o véu do pudor cai,
Na dança antiga que nunca falha.
Consumados com carinho, com fome, com fé,
Neste ritual que apenas o corpo crê.
Curvas cintilam à luz de um luar roubado,
Arco de desejo, por suor salgado.
Confidências compartilhadas sem voz,
O corpo é a língua, o suspiro é a cruz.
Contatos contagiam fogo e tremor,
Um pelo outro, só existe o sabor.
Clamores que ecoam em quarto fechado,
Calores que fundem, em êxtase dobrado.
E quando o espasmo findar sua labuta,
Ficam os ecos da pele enlaçada, absoluta.
