Desliza pela pele como seda quente,
Queimando o ar, a respiração se prende
No abismo doce do teu olhar.
Nos teus braços, o mundo se desfaz,
Restam apenas nós, carne e desejo,
Um ciclo eterno de fogo e beijo,
Onde a razão se perde, sem paz.
Sinto a tua mão subir devagar,
Traçando mapas de loucura antiga,
Cada curva é uma porta aberta,
Para o êxtase que nos conquista.
A respiração ofega, pesada,
O calor sobe, subindo pelo corpo,
Enquanto o tempo congela, suspenso,
Neste instante de pura intensidade.
Teu sopro toca meu pescoço ardente,
E a pele treme, busca o teu toque,
Como quem tem sede e não tem voz,
Só sente o prazer que nos consome.
Não há limites, não há fronteiras,
Somos maré que bate na areia,
Ondas de carne, espuma e desejo,
Unindo almas em plena entrega.
A noite é nossa, o escuro é cumplice,
Iluminado só pela chama interna,
Que queima, queima, queima sem fim,
Até que a alma se torne poeira.
Deixa-me entrar, deixa-me possuir,
Cada fragmento do teu ser inteiro,
Que no teu colo eu encontro a paz,
O inferno doce do nosso amor.
Sê minha agora, sê toda minha,
Neste instante que não tem começo,
Onde o prazer é a única lei,
E o silêncio grita nosso nome.
❦
Cléia Fialho

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