Pedir-te que me olhes e me aceites, sussurrou, aproximando-se devagar, sentindo o calor do olhar dele que a percorria como uma chama suave.
Era um convite para que ele a invadisse com seus sentidos, para que sentisse o que ela já pressentia dentro de si.
O silêncio entre eles era denso, carregado de uma expectativa que fazia o tempo parecer parar.
Miguel estendeu a mão, tocou o rosto de Noelia com uma ternura que a fez estremecer, e no gesto, pediu que ela também o desejasse, que se entregasse ao momento sem medo.
Ela sentiu os dedos dele deslizarem pela curva do seu pescoço, descendo devagar pela espinha, traçando caminhos de fogo sobre a pele nua.
Cada toque era uma pergunta, cada carícia, uma resposta.
Os lábios dele encontraram a sua nuca, e ela arqueou o corpo, oferecendo-se como fruto maduro.
— Olha-me — pediu ela, em voz rouca.
E ele obedeceu.
Os olhos dele desceram pelo colo, pelo vale entre os seios que subiam e desciam na respiração ofegante, pelo ventre que se contraía sob o olhar faminto.
Ela sentiu-se despida antes mesmo de as roupas caírem.
Pedir-te que me peças, que te queira, ela implorou em pensamento, enquanto seus lábios se aproximavam dos dele, buscando a língua que conhecia, o sabor que não se separava das horas partilhadas.
As mãos dele encontraram suas coxas, subiram lentas, abriram caminho entre o desejo e a pele molhada.
Ela mordeu o lábio inferior, perdeu-se no ritmo dos dedos que a conheciam como ninguém.
O mundo lá fora desaparecia, e restava apenas o eco de seus suspiros e a dança de seus corpos.
Ela montou nele devagar, sentindo cada centímetro entrar, preencher, completar.
Os quadris dele subiam ao encontro dela, numa cadência antiga, numa dança que só os amantes conhecem.
— Não pares — gemeu ele, e ela sorriu, acelerando o movimento, sentindo o prazer crescer como onda prestes a quebrar.
Os dedos dela cravaram-se nas costas dele, as pernas apertaram-lhe a cintura, e o mundo explodiu em cores que só os corpos unidos podem ver.
Naquele instante, entre toques e promessas silenciosas,
Noelia percebeu que o amor era também um convite para se perder e se encontrar no outro, para aceitar e ser aceita em cada instante, sem pressa, apenas com desejo e entrega.
O suor misturava-se na pele, os corações batiam juntos, e ela sentiu-o ainda dentro dela, palpitando, pertencendo.
O que começou como um pedido tímido transformou-se numa celebração do amor, onde olhar, querer e sentir se tornaram um só.
E ali, na penumbra do quarto, entre lençóis amassados e corpos saciados,
Noelia entendeu que o verdadeiro erotismo não está no gesto, mas no olhar que o antecede.
— Olha-me — repetiu, já no silêncio pós-amor.
E Miguel olhou.
Ela viu-se refletida nos olhos dele, e soube que nunca mais precisaria pedir.
❦
Cléia Fialho

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