A chuva bate no telhado enquanto tu
me encostas na parede.
Teus dedos escorregam no meu peito molhado
cada gota que desce do teu cabelo
é um rio na minha clavícula
e eu respiro fundo o cheiro de terra e de ti.
Tua pele brilha como asfalto depois da tempestade
e o ar pesa de eletricidade e desejo.
Tu cheiras a ozono, a roupa lavada, a mato pisado
enquanto a água escorre pelas tuas costas
e encontra as minhas.
Tuas mãos frias aquecem na curva da minha cintura
e a intimidade entre nós cresce como maré.
Cada beijo teu tem gosto de chuva e de saliva
e eu te bebo como quem bebe nuvem e trovão.
O vidro embaça com o calor dos nossos corpos
e eu desenho teu nome no vapor da janela
enquanto tu deslizas em mim igual enxurrada
e eu me entrego —
molhado, aberto, cheirando a relâmpago.
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