TOCA DA LEOA
Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia









quarta-feira, 6 de outubro de 2021

SÓ O CHEIRO DE SEXO


A noite se despe, devagar, sem pressa. 
A lua se curva sobre mim, nua, 
e eu me entrego ao seu olhar prateado. 

O sol já não existe, só restam mãos 
— as tuas — que me tocam 
como se quisessem rasgar a pele e chegar até o osso. 
Eu me abro. 

O vento entra por entre as coxas, quente, 
e eu sinto o ar como língua. 
A terra geme. 
Meu corpo é o poema que ninguém mais lê: 
boca aberta, seios pesados, 
clitóris latejando contra o frio da noite. 

Cada estrela é um dedo que me fode devagar. 
Eu ergo os quadris, peço mais. 
Quero ser comida, sugada, fodida até o osso. 
Quero que a escuridão me penetre até o fundo, 
até o útero, até o grito. 

O mundo dorme, mas eu ardo. 
Eu transbordo. 
Eu me desfaz. 
E quando o dia voltar, nada restará de mim 
— só o cheiro de sexo e lua no lençol molhado.




  Cléia Fialho