Teu beijo, um fruto que rompe o véu da noite,
um suco denso, rubro, escorrendo em meus lábios.
Não há jardim, mas selva úmida onde o desejo
é raiz que se aprofunda, sem pudor, na terra escura.
Tua pele, mapa ardente de promessas mudas,
onde a fome tateia, cega, por cada dobra.
Somos tempestade e raio, maré alta e espuma,
um grito rouco que rasga o silêncio da carne.
Incêndio sob a pele, mel e suor entrelaçados,
até que o mundo exterior seja apenas fumaça.
