Vem —
não com promessas,
mas com a urgência acesa na boca.
Chega perto
até o ar entre nós perder o nome,
até meu perfume te alcançar
como uma vertigem quente.
Percorre-me sem pressa,
mas sem piedade:
há caminhos em meu corpo
que só se revelam
a quem sabe escutar com as mãos.
Toca-me
como quem desperta uma fera,
como quem conhece o perigo
e ainda assim sorri.
Quero teu desejo
contra o meu,
a respiração quebrada,
o pulso selvagem
batendo no mesmo incêndio.
Beija-me até a noite estremecer.
Morde o silêncio.
Deixa que a pele diga
o que a boca não consegue.
E quando o mundo desaparecer
atrás da porta,
quando restarem apenas
calor, vertigem e entrega,
vem inteiro.
Eu também virei tempestade —
crua, faminta,
acesa por dentro,
pronta para te consumir
sem apagar teu fogo.
