Te quero agora,
sem distância,
sem demora,
como a chuva quer a terra seca
antes da tempestade cair.
Meu corpo te chama
num idioma antigo,
feito de arrepios,
respiração falha
e desejos que queimam por dentro.
Imagino tuas mãos
percorrendo minha pele
como quem conhece caminhos secretos,
e teus beijos — fundos, lentos —
desfazendo toda a pressa
enquanto me incendiamos juntos.
Tua voz rouca
atravessa a noite
e encontra em mim
um lugar onde o desejo floresce
sem medo,
sem medida.
Há um calor crescendo,
um mar inquieto sob a pele,
uma vontade que transborda
e já não cabe no silêncio.
Então vem.
Vem como vento forte,
como fogo em madrugada fria,
como quem sabe exatamente
onde tocar
para transformar saudade
em vertigem.
E me abraça inteira,
até que não exista mais
teu corpo e o meu —
apenas essa chama viva
nos consumindo devagar.
❦
Cléia Fialho


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