Eu me rendo aos teus passos no silêncio da noite,
me ajoelho onde o desejo pulsa feroz,
degusto o sabor guardado no tempo, no espaço,
minhas mãos desvendam a tua pele, tremendo,
a garganta queima, a respiração se perde.
Desfeito teus vestígios, botão por botão,
minha boca incendeia o caminho do teu pescoço,
a pele arde sob o toque voraz,
teu ventre, firme e convidativo, se oferece,
elevo a barra da tua saia, revelo segredos molhados,
escamas de paixão escorrem entre meus dedos.
No compasso selvagem da carne e do fogo,
beijo teu corpo como quem se afoga em mar revolto,
cada curva, um convite ao devorar,
cada gemido, um grito de posse e entrega,
teu suor mistura-se ao meu,
cru e urgente, o desejo rasga a noite.
Sou tempestade que desaba em ti,
vento que invade, que rouba, que prende,
meus lábios traçam mapas na tua geografia ardente,
minhas mãos escavam até o centro da tua essência,
onde a chama nunca se apaga,
onde o êxtase é brutal e completo.
Entre sussurros e gritos, nos perdemos,
corpos entrelaçados em dança sem regras,
o mundo reduzido ao toque, ao sabor, à pele,
teu corpo me domina, me enlouquece,
e eu me entrego, selvagem e voraz,
ao prazer que nos consome, sem limites.
No silêncio que sobra depois do fogo,
resta apenas a respiração ofegante,
os corpos suados, a alma nua,
o eco de um desejo que não conhece fim,
e a promessa de um recomeço,
no instante em que nossos corpos se buscarem de novo.
❦
Cléia Fialho
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