O ar da madrugada pesa, vira brasa e veludo,
quando a tua mão traça o limite da minha cintura.
Não há tempo para desvios ou passos em falso,
apenas o choque imediato de dois corpos em combustão.
um arrepio súbito que desmancha qualquer armadura.
Nossos dedos se entrelaçam como raízes famintas,
pressionando o espaço até que não exista mais ar entre nós.
Sinto o teu peito batendo no ritmo da minha pressa,
o atrito feroz da pele que marca, consome e alucina.
É uma vertigem cega, um delírio que nos arrasta,
onde cada toque é uma promessa de incêndio total.
E ali ficamos, presos no cruzamento dos nossos desejos,
derretendo as horas no calor de um só relevo febril,
completamente rendidos à febre de nos querermos assim,
sem freio, sem trégua, até o limite do mundo.
❦
Cléia Fialho

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