Enquanto teu gozo inunda cada fresta,
meus dedos cravam sulcos em tua coluna,
traçando o mapa de um êxtase que não aceita leis.
Eu devoro teus gemidos, bebo o som cru de tua rendição,
onde o ar se torna um luxo que roubo de ti.
Inverto a posse,
sento sobre o teu desespero,
domino o espaço.
Cavalgo o teu ritmo num tranco lento,
insinuante e perverso,
provocando a agonia que antecede a explosão.
Sinto sua rigidez golpeando meu âmago,
estocada por estocada, sem clemência, sem trégua.
Somos dois corpos que se destroem,
colidindo carne com carne,
até que não reste nada além de exaustão
e suor quente que nos funde em um desastre.
❦
Cléia Fialho
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