É sempre igual, mas nunca o mesmo,
quando me perco em ti,
devoro tua essência em delírio,
sou chama que percorre tua pele,
num piano que desconheço,
mas cujo som vibra em tua carne.
Conheço o mapa secreto do teu ser,
a escrita escondida nos contornos,
a caligrafia que só minhas mãos decifram.
Há um gosto de eternidade em tua entrega,
um sal que me enlouquece,
um doce que me arrasta ao abismo.
Perdidos, somos tempestade,
somos vertigem sem destino,
corpos que se confundem,
lençóis que se tornam mares,
onde naufragamos sem medo.
Sou fome que não se sacia,
sou sede que não se apaga,
sou animal que devora,
sou loucura que não pede licença.
Entre nós não há fronteiras,
há apenas o choque dos corpos,
a explosão sem freio,
a entrega sem retorno.
Somos selvagens,
somos feras em delírio,
somos vertigem e queda,
somos fogo que não se apaga.
Sou tua, és meu,
numa dança selvagem,
num ritual de fogo e vertigem,
onde cada gesto é delírio,
cada toque é universo,
cada encontro é infinito.
Amamos, nos devoramos,
somos feras e ternura,
somos carne e eternidade.
E sempre é igual,
mas sempre é diferente,
porque em ti me reinvento,
porque em mim te perdes.
❦
Cléia Fialho

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