Esquece a pele, rasgo a carne se for preciso
para chegar onde o teu desejo ferve.
Não há pedido, apenas a exigência muda,
o choque elétrico que nos paralisa e fode.
o mapa do inferno onde me perco de prazer.
Tua mão me prende, me molda, me submete,
e eu clamo por essa força, por essa posse total.
Meus fluidos jorram como uma oferenda,
uma maré que te engole e te alimenta.
Na nossa cama, somos apenas bestas
que se devoram em um ritual profano.
Tuas estocadas são a marca, a assinatura,
a dor deliciosa que me faz delirar e gritar teu nome.
Não há amor, apenas a necessidade insana,
o sexo elevado ao seu nível mais puro e animalesco,
onde nos fundimos, nos destruímos e nos refazemos,
eternamente presos neste vício um do outro.
❦
Cléia Fialho

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