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domingo, 14 de setembro de 2014

A VOLTA DOS LOBOS




A DONA DA CAÇA

Ela levantou-se da cama devagar.

Os três homens ainda ofegavam, espalhados pelo colchão como animais saciados mas ainda desconfiados. O esperma escorria-lhe pela barriga, pelos seios, pelas coxas. O suor brilhava na sua pele como uma armadura líquida. Mas os olhos dela não estavam cansados. Estavam vivos. E famintos.

— Acham que acabou? — perguntou ela, a voz rouca mas firme.

Os homens entreolharam-se. O primeiro, o de barba, levantou-se apoiado nos cotovelos. O segundo, o magro, franziu o sobrolho. O terceiro, o mais jovem, sentou-se na cama e inclinou a cabeça.

— O que queres dizer com isso? — perguntou ele.

Ela sorriu. E foi esse sorriso que os fez calar — um sorriso que não pedia, que não implorava, que apenas anunciava.

— Levantem-se — ordenou ela. A voz não era alta, mas tinha uma densidade que não admitia hesitação.

Os três homens levantaram-se, lentamente, nus, expostos. Ela caminhou à volta deles, os dedos a tocarem-lhes as costas, os ombros, os peitos, como uma escultora que avalia a matéria-prima antes de começar a esculpir.

— Querem saber o que acontece a três machos que pensam que podem comer uma fêmea e depois deitam-se para dormir? — perguntou ela, sem esperar resposta.

Aproximou-se do primeiro homem, o de barba, e segurou-o pelo queixo.

— Ajoelha-te.

Ele hesitou um segundo. Apenas um segundo. Depois ajoelhou-se, os olhos fixos nos dela, o membro ainda semi-erecto entre as pernas.

— Tu — disse ela, apontando para o segundo — vem cá e deita-te de costas.

Ele obedeceu, estendendo-se no chão, o corpo nu exposto como uma tela em branco.

— E tu — disse ela ao terceiro, o mais jovem — fica de pé e não te mexas.

O silêncio no quarto era absoluto. Ela aproximou-se do primeiro homem, ainda de joelhos, e segurou-lhe o cabelo com força. Puxou-lhe a cabeça para trás, expondo o pescoço, e inclinou-se para lhe morder o ombro. A marca ficou vermelha, inchada, viva.

— Quero sentir-vos a tremer — disse ela — quero que cada um de vós me prove que merece estar aqui.

Montou o segundo homem, o que estava deitado no chão, e sentou-se sobre o seu membro com um movimento seco que o fez ofegar. A mão dela apertou-lhe o peito, as unhas a cravarem-se na pele, enquanto os quadris se moviam num ritmo lento e controlado.

O primeiro homem, de joelhos, foi puxado pelo cabelo até à boca dela. Ela guiou o seu sexo até aos lábios e começou a chupá-lo, os olhos fixos no terceiro homem, o que estava de pé, que assistia a tudo sem se mexer.

— Não te mexas — repetiu ela, a boca cheia — não te mexas, seu puto.

O ritmo dela sobre o segundo homem acelerou, os quadris a baterem contra os dele, os gemidos a escaparem-lhe pela garganta enquanto a boca continuava a sugar o primeiro. O segundo homem começou a tremer, os dedos a apertarem as coxas dela, o corpo a contrair-se.

— Já? — perguntou ela, com um sorriso cruel — ainda nem comecei.

Parou. Levantou-se do segundo homem, deixando-o ofegante e vazio, e foi até ao terceiro. O mais jovem, o mais tenso, o que ainda não fora tocado.

— Queres a tua vez? — perguntou ela, as mãos a deslizarem pelo peito dele.

Ele não respondeu, apenas engoliu em seco. Ela desceu devagar, ajoelhando-se diante dele, os dedos a percorrerem as suas pernas até ao sexo erecto. Os lábios tocaram-lhe a ponta, e ele ofegou.

— Olha para mim — ordenou ela — olha enquanto te chupo.

Ele obedeceu. Os olhos dele encontraram os dela, e ela mergulhou a boca nele com uma fome que era ao mesmo tempo devoração e oferenda. A língua enrolou-se, os lábios apertaram, a garganta abriu-se para o receber por inteiro, enquanto ele gemia e os dedos se enterravam no cabelo dela.

Então, de repente, ela parou. Levantou-se, ofegante, e olhou os três homens.

— Deitados — disse ela — todos deitados. De barriga para cima. Mãos atrás da cabeça.

Eles obedecem, como soldados a cumprir uma ordem. Ela caminhou lentamente entre eles, os dedos a tocarem cada membro erecto, cada barriga tensa.

— Agora — disse ela, sentando-se na borda da cama — vão gozar. Todos ao mesmo tempo.

Os homens começaram a tocar-se. As mãos deslizaram sobre os próprios corpos, os ritmos descoordenados, os olhos fixos nela. Ela assistiu, imóvel, como uma rainha que observa um espectáculo feito para seu prazer.

— Não pares — sussurrou ela — quero ver-vos desfazer-vos.

Os gemidos começaram a sobrepor-se. O primeiro homem, o de barba, arqueou as costas e jorrou sobre a própria barriga, o líquido quente a escorrer-lhe pelos dedos. O segundo homem seguiu-o, com um gemido rouco e prolongado. O terceiro, o mais jovem, foi o último, os olhos fechados, o corpo a tremer inteiro.

Ela levantou-se, caminhou até ao primeiro homem, e mergulhou os dedos no esperma que escorria da barriga dele. Levou os dedos à boca e lambeu-os lentamente, os olhos fixos nele.

— Não está mau — disse ela — mas vocês têm muito que aprender.

Voltou para a cama, deitou-se de costas e abriu os braços.

— Venham — disse ela — vamos recomeçar do zero. Mas desta vez, obedecem a cada palavra minha.

Os três homens entreolharam-se. O medo e o desejo misturavam-se nos seus olhos. Mas, lentamente, aproximaram-se da cama, prontos para a próxima ronda.






Cléia Fialho

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