Dispensei o discurso, as palavras eram inúteis.
Meus olhos confessaram os crimes mais sujos
quando os teus lábios colidiram com os meus.
Tua palma esmagou meus mamilos,
um único dedo teu retorcendo a minha espinha,
me fazendo inundar o escuro por ti.
Mas o cenário era uma armadilha.
Aperto, sufoco, o barulho do mundo ao redor.
Não dava para travar minhas pernas na tua cintura,
faltava teto, faltava espaço para te cavalgar com fúria.
Fiquei privada de te ver perder o juízo
sob o comando da minha boca,
de arrastar minha língua pelo teu ferro erguido, insano.
Ainda assim, rompi o bloqueio.
Minha mão tateou e encontrou a tua rigidez de pedra,
babando o licor denso do teu cio.
Colhi o fluido com os dedos
e mudei o gosto da minha saliva,
provando o teu veneno na ponta da língua.
Que loucura maldita.
Faltou o abate final.
O golpe de misericórdia, a estocada brutal e triunfante,
onde a minha carne faminta
sugaria o teu centro até o caroço.
Faltou o rugido abafado, o espasmo sincronizado,
a detonação crua de dois bichos engaiolados,
estourando a represa dessa luxúria presa.
Mas a marca está feita.
Sou tua propriedade.
❦
Cléia Fialho

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