Desejo
A fome que me rói
não tem nome,
mas tem a forma
na minha cintura.
Um desejo
que se aninha
nas rugas do tempo,
como um pássaro
que não encontra
o seu ninho.
É a sede
de terras desconhecidas,
de mares
que a memória
nunca navegou.
É o murmúrio
das coisas que não digo,
o silêncio
que grita
o teu nome.
Um corpo
que procura outro corpo,
não na carne,
mas no eco
de uma canção
esquecida.
O sol que se apaga
e a ânsia
de acender
uma nova estrela
no céu da noite.
Desejo,
essa urgência
de ser
e de ter
o que sempre
esteve
tão perto
e tão longe.
❦
Cléia Fialho

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