O teu corpo movendo-se em cima do meu
É a única crença que eu sempre aceitei.
Tua boca entreaberta, teus olhos sem véu,
No transe selvagem em que me entreguei.
E eu jorro em teu fundo invocando o teu nome.
DRM
Minha boca desaba em teu peito ofegante,
Minhas pernas te prendem, recusam soltar,
A umidade nos une num único instante,
E o silêncio da carne nos vem abraçar.
Mas renasce o desejo que em nós não arrefece,
É o fogo louco que nunca adormece.
CF
Te deito de lado e suspendo a tua perna,
Te invado de golpe, profundo e sem fim,
Teu corpo se molda nessa noite eterna,
Buscando o limite que queima em mim.
Cada embate violento te arranca um gemido,
No compasso animal do prazer revivido.
DRM
Nossos gritos ecoam no mesmo compasso,
Cada golpe violento é uma folha rasgada,
Nos despindo do tempo, da dor, do cansaço,
Nessa nossa vertigem que não pede nada.
Nos fodemos até que a carne seja pão,
E o gozo seja o vinho vertido no chão.
CF
❦
Cléia Fialho & Don Juan DeMarco

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