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domingo, 29 de março de 2015

O GOSTO QUENTE DO DESEJO - Capítulo I




A ESPIRAL QUE DESMANCHA

Ainda flutuo naquele torpor quente que o corpo dele deixou em mim, os lençóis amassados grudando na pele úmida das costas. 
A luz fraca da janela desenha contornos preguiçosos no quarto, mas é o peso da mão dele se aproximando do meu seio exposto que me ancora de volta ao presente.

A ponta do dedo indicador toca a borda da auréola e o mundo encolhe até caber naquele ponto exato. 
Ele não tem pressa — desenha círculos lentos, constantes, orbitando o bico sem nunca alcançá-lo. 
O movimento circular me desmancha por dentro, cada volta mais próxima, cada volta mais impossível de suportar.

Prendo a respiração quando sinto o mamilo endurecer sozinho, projetando-se contra o ar como se implorasse pelo toque que ele ainda não me dá. 
Minhas costas arqueiam involuntárias, empurrando o seio contra a mão firme que me contorna sem ceder.
O dedo dele para no bico duro, e eu sei que a boca vem a seguir.

O dedo dele ainda está parado sobre o mamilo duro quando ele abaixa a cabeça. 
O calor da respiração chega primeiro — um bafo quente que me faz tremer inteira antes mesmo do contato. 
Então os lábios selam ao redor do bico ereto e o mundo estoura em luz atrás das minhas pálpebras.

A boca suga com pressão firme, ritmada, e a língua lambe a ponta em movimentos lentos que contradizem a força da sucção. 
Solto um gemido curto, embargado, e minhas costas descolam do colchão. 
A saliva quente se espalha pela auréola enquanto a língua gira em espiral — o mesmo movimento circular do dedo, agora úmido e devastador.

Agarro os cabelos dele com as duas mãos e cravo as unhas no couro cabeludo. 
Puxo com força, e o gemido grave que ele solta contra meu seio vibra direto na minha espinha. 
A boca não desacelera — suga mais fundo, lambe mais rápido, e a espiral da língua me desmancha em ondas que descem pelo ventre.

O orgasmo me atinge sem aviso. 
Um gemido alto e incontrolável escapa da minha garganta enquanto a umidade jorra da minha boceta, encharcando os lençóis entre as coxas. 
Meu corpo estremece em espasmos violentos, e é nesse instante que os dentes dele roçam o mamilo — a pontada de dor atravessa o prazer e arranca de mim um segundo gemido, rouco e partido.

O líquido vaginal escorre pela fenda, molhando o tecido debaixo do meu quadril, e eu convulsiono contra a boca que não me solta. 
A língua dele ainda lambe, ainda suga, ainda gira em círculos sobre o bico hipersensível enquanto o orgasmo me devora por dentro. 
A boca permanece selada no meu seio, engolindo o último estremecimento do meu corpo.

Meus músculos afrouxam de uma vez. 
O corpo desaba contra os lençóis encharcados, o peito ainda subindo e descendo em arrancos. 
A boca dele se solta devagar — sinto cada milímetro da despedida — e quando ele levanta a cabeça, um fio de saliva quente conecta seus lábios ao meu mamilo ainda duro. 
O fio estica, brilha na luz fraca, e se rompe. 
Ele respira fundo, os olhos fixos no meu rosto. 

Eu toco o próprio seio. 
Os dedos encontram a pele molhada, o calor residual da boca dele impregnado na auréola. 
Pressiono de leve e a umidade espalha. 
Meu quadril relaxa e as coxas se abrem, deixando o ar tocar a umidade vaginal que gruda na pele, fresca contra o calor que ainda pulsa. 
O dedo traça um círculo lento ao redor do bico do seio, espelhando o toque dele.




Cléia Fialho

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