Sede de mergulhar na tua pele,
Sede de me perder nas tuas curvas,
Sede de me aquecer na brasa do teu toque,
Sede de me consumir nas chamas do teu olhar.
Sede de encontrar a batida do meu coração em ti,
Sede de falar em silêncios e gemidos,
Sede de te desenhar com cada suspiro,
Sede de descobrir o labirinto da tua essência.
A cravejar a boca, um gosto doce e salgado,
Um néctar que embriaga os sentidos,
Sede que devora as inibições,
Sede que alimenta a chama deste amor.
Um dia, ao cair da noite,
Ainda sonho em me tornar refém do teu encanto,
De dançar na espiral da luxúria julgada,
Em cada toque, em cada vestígio do desejo.
A carne se entrelaça em lamentos e riso,
Um sussurro que transforma a realidade,
Sede que se revela como a maré que vem,
Arrastando-me para um oceano de sensações.
Sede que transforma o beijo em entrega,
Desmistificando a leveza do ar,
Sede que transforma o instante em eternidade,
Onde a vida pulsa no eco dos nossos corpos.
E se o tempo parar, que seja para nós,
Para que a sede se torne um rito,
Um ritual selvagem, visceral,
Onde nos encontramos, nuvens e tempestades.
De tanta sede, quero reclamar este espaço,
O calor que queima, a paixão que arde,
Quero ser o eco do teu corpo,
E você, a melodia que embala a minha alma.
Mergulhar de cabeça na fúria do desejo,
Ser líquido em ti, ser fogo em nós,
E ainda que o mundo pareça distante,
As nossas sedes serão sempre um só.
❦
Cléia Fialho

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