não como está - mas como arde
fera que rói as próprias grades
unhas cravadas no metal frio.
Carente de tuas mãos na nuca
Desejosa de teu hálito quente
prisioneira do próprio desejo
que lateja como carne viva.
Romper a gaiola que inventaram
para meu cio domesticado
respirar o ar dos teus dedos
descendo pela espinha em fogo.
Correr teus riscos naturais
teu peito como chão selvagem
teu sexo como mata virgem
onde minha boca é exploradora.
Ser livre para te morder
para rasgar tua camisa com os dentes
para montar teu corpo como besta
que esqueceu o nome da jaula.
Ardem meus seios quando te encosto
forte é o cheiro do teu suor
selvagem é o som que escapa
quando me tomas por inteira.
Sufoca a fera que aprendi a ser
enlouquece o instinto contido
quando tua língua encontra
o centro molhado da minha floresta.
Brado por ti - não por liberdade abstrata
mas pela liberdade de ser tua presa
teu risco, teu caminho descoberto
teu instinto satisfeito em carne viva.
Ah! teus riscos são meus gozos
porque me privas de tudo
para me dares mais
na ponta dos teus dedos
no fundo da tua boca
na curva do teu quadril
onde minha fera finalmente
se reconhece selvagem.
❦
Cléia Fialho
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