Sobre nossa mesa
Lua por testemunha
Da nossa luxúria acesa.
E o silêncio se curva devagar,
como se o mundo lá fora
não tivesse mais permissão de entrar.
Teu olhar desliza em mim
feito chama que não pede licença,
e a noite aprende, em segredo,
o idioma da nossa presença.
Entre taças e sombras suaves,
o tempo esquece de passar,
e cada gesto teu me percorre
como se fosse possível recomeçar.
Não há pressa nem promessa,
só esse instante suspenso no ar,
onde até a própria lua
parece querer ficar e nos guardar.
❦
Cléia Fialho


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