Nos teus braços, encontro meu tudo,
meu ninho agora é a tua pele,
é a cama onde nos perdemos.
me encontram nua,
me devoram antes que a mão chegue.
A brisa suave vem nos embalar,
só que não é brisa,
é o teu hálito quente no pescoço,
nos embalando para trás,
até que as costas encontrem o colchão.
E sussurra segredos de amor,
segredos que soam como ordens,
como a boca ordenando que eu abra.
Caminhando juntos — em pura conexão,
pele contra pele,
sem espaço para o ar,
só para o suor.
As estrelas se rendem ao nosso ardor,
e o ardor não brilha — ele ferve,
transborda — penetra.
No compasso do tempo — dançamos a canção,
um vaivém — um embate,
um ritmo que não pede descanso.
Cada toque é um verso que acende a paixão,
o toque que desce,
que insist — que abre.
Teu sorriso é luz que sempre reluz,
mas agora a luz é provocação,
é o aviso do que a boca fará.
Em teu abraço — o mundo se desfaz,
e a roupa se desfaz,
e o limite se desfaz.
E o amor se revela — doce e audaz,
doce na língua,
audaz no dente,
voraz no querer.
No silêncio — os corações se entendem,
mas os corpos gritam — e eu grito.
A ternura nos une — é pura verdade,
mas é a fome que nos prende,
que nos torce, que nos funde.
E nesse instante — nada nos ofende,
tudo nos invade — tudo nos toma.
Ficamos imersos em nossa felicidade,
imersos no suor — no sabor,
no depois que ainda arde.
❦
Cléia Fialho

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