No fogo oculto arde a chama acesa,
Que não descansa, exige mais calor,
É sede antiga, é fome, é correnteza,
Que rompe as margens, transborda em furor.
Onde o desejo canta seu amor,
E cada gesto é rito, é natureza,
Que se consome o êxtase em calor.
Na pele grava marcas de ternura,
Na alma deixa rastros de paixão,
E o instante eterno em si perdura.
Assim se cumpre a febre da emoção:
Na entrega plena, intensa e tão pura,
O gozo é chama, e o amor — vulcão.
❦
Cléia Fialho
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