A ponta dos dedos raspa a extensão da espinha,
um rastro febril que incendeia a pele à revelia.
O teu corpo encaixa-se no meu com força cega,
uma colisão de carne, peso e eletricidade pura.
numa mordida lenta que desmancha a sanidade.
O ar rareia, o suor desce em linhas quentes,
e a nossa urgência vira um só e inevitável nó.
Sinto a tua pele vibrar colada à minha,
o atrito denso, magnético, visceral, implacável.
Cada músculo tencionado no limite do gozo,
devorando o tempo no escuro de um só desejo.
E ali ficamos, suspensos no pico da vertigem,
incendiados pelo mesmo e eterno fogo,
fundidos na carne, na febre, no delírio absoluto,
onde o mundo desaba e só resta a nossa chama.
❦
Cléia Fialho

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