Tuas mãos tingem meu peito de vermelho-cereja
onde os dedos passeiam como pincéis grossos
O azul da meia-noite escorre pela minha barriga
enquanto tu desenhas ondas com a ponta da língua.
e cheira a sal e jasmim depois da chuva
A luz amarelada do abajur recorta tuas costas
em curvas que parecem dunas em fogo.
Teu suor brilha igual mel em minha clavícula
e eu lambo o dourado que escorre do teu pescoço
Tua pele cheira a terra molhada e a mangas maduras
enquanto teus olhos verdes queimam como videira.
Vejo teus lábios se abrirem feito romã partida
e dentro deles, a cor da polpa viva
Teu corpo é óleo sobre o meu
— lento, espesso, brilhante
e eu sou a tela que nunca fica pronta.
❦
Cléia Fialho

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