A noite despenca sobre os nossos corpos,
já não há disfarces, nem tréguas, nem regras.
Minhas mãos rastreiam o teu relevo febril,
enquanto a tua respiração marca o compasso do abismo.
cada poro transborda a urgência do que fomos e somos.
As unhas cravam na tua pele como um pacto mudo,
o eco de um prazer que desafia qualquer silêncio.
Invades o meu centro sem pedir licença,
pesado, quente, absolutamente necessário.
O suor mistura-se ao delírio da nossa ânsia,
numa dança crua onde a alma se desfaz em carne.
E quando o mundo desaba lá fora,
nós continuamos aqui,
incendiados,
fundidos no mesmo e eterno gozo.
❦
Cléia Fialho

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