Tuas mãos dominam minhas curvas,
erguem meu ventre sem pedir licença.
Meu corpo se entrega inteiro,
ardendo na urgência do teu toque.
fazendo estremecer aquilo que escondo.
Minha voz se desfaz em suspiros,
meu peito se abre em febre e vertigem.
Regresso ao incêndio da tua boca,
onde a sede jamais encontra repouso.
Roubo o teu fôlego em beijos demorados,
adoço o desejo até perder a razão.
Minha boca percorre tua pele sem destino,
como quem decifra um território proibido.
Gravo em ti o calor da minha passagem,
assinando teu corpo com lembranças vivas.
Entre respirações partidas,
nos consumimos sem medida,
ferozes, intensos, inevitáveis,
como duas chamas que recusam o fim.
E quando penso que o fogo enfim descansa,
te encontro outra vez em minha pele,
porque há desejos que nunca adormecem,
apenas esperam a próxima tempestade.
❦
Cléia Fialho

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